Marly Paixão

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Biografia de Marly Paixão, Psicóloga e trancista 

Entrevista: Keila Serruya

Texto: Jéssica Dandara

O que você está fazendo pra ser lembrado? Qual é a sua história?”

Marly Paixão


 

Marly Paixão Rodrigues da Costa, nascida em São Paulo, no ano de 1965, dia 23 de novembro, chegou em Manaus em 1981, aos 16 anos de idade. Filha de mineiros, seu pai se chama Geraldo Magela da Paixão e sua mãe é Inocência Rodrigues da Paixão, ambos de Minas Gerais, vivos, são os amores de Marly. Seu avô foi um africano escravizado que veio ao Brasil em um navio negreiro. 

 

Marly têm duas filhas biológicas, e 18 filhos adotivos. Marly adotou muitos filhos e sempre os criou incentivando à consciência racial, tal qual aprendeu em sua família e depois fazendo tranças.

 

Psicóloga, formada no Amazonas, viu a necessidade de cursar psicologia por conta de seus filhos adotivos, pois percebeu que, como mãe social, junto ao seu marido, não tinha toda a estrutura que seus filhos demandavam.

 

Marly se tornou uma referência de psicóloga na negra da cidade, e isso tem influência do seu trabalho como trancista. Suas filhas diziam que ela fazia a cabeça das pessoas tanto por fora, como por dentro, ajudando em seus problemas, anterior ao seu trabalho na psicologia.

 

Pessoas do movimento negro iam ao seu salão para trançar seus cabelos e, ao ter contato com Marly, a levavam para as atividades do movimento negro, fazendo com que Marly fosse conhecida também nesse meio. A psicóloga, que na época era trancista, passou a organizar, junto ao movimento negro, projetos voltados à auto-estima e estética negra.No curso de psicologia, em que deu aula na universidade, houve um movimento de acolhimento e reconhecimento, pois os poucos estudantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

negros do curso se identificavam com Marly e se aproximaram, tornando a academia um espaço um pouco menos desigual, pois, ao ser a coordenadora da clínica da universidade, havia oportunidade de estágio para estudantes negros, que não eram barrados pelo racismo, como acontece frequentemente.

Foi um período de muitas trocas com os alunos negros, que ao questionarem se um dia chegariam no mesmo lugar que ela, Marly sempre os encorajava e os incentivavam a prosseguir e lutarem pelos espaços que queriam alcançar.

 

Marly faz uma avaliação sobre esse período e comenta “Como é necessário ter uma referência para se sentir parte de algo”, e diz que por conta desse espaço de empatia criado entre os alunos negros, sente que a maioria dos que buscavam a clínica para fazer um estágio eram negros. 

Como psicóloga, Marly se tornou referência, não apenas entre seus colegas de profissão, ou como psicóloga negra de visibilidade no estado, mas também entre alunos negros que se sentiam vistos e acolhidos por ela.

 

“Eu acredito que o acolhimento é tudo, pois você entende a dor do outro porque também é a sua dor, a gente consegue falar a mesma língua, acredito que a coisa flui” (Marly Paixão)

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